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	<title>Esporte em Pauta &#187; Entrevistas Mundial</title>
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		<title>Esporte em Pauta &#187; Entrevistas Mundial</title>
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		<title>Passaporte Carimbado: João Junior</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jul 2013 23:47:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Nantes]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img src="http://esporteempauta.com.br//wp-content/uploads/2012/01/filler.png" width="128" height="128" alt="Home" title="Home" /><br/>Há um ano, João Junior via seu amigo Tales Cerdeira, com quem divide apartamento, viajar para as Olimpíadas. Depois de ficar com o segundo tempo do 100 peito até a  última seletiva, João foi superado e perdeu a vaga. Há cinco anos, treinava no clube Álvares Cabral, no Espírito Santo e dividia a rotina de treinos com o trabalho de garçom. Amanhã, João embarca para o Mundial de Barcelona, onde chega com o segundo melhor tempo do ano no 50 peito
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				<content:encoded><![CDATA[<img src="http://esporteempauta.com.br//wp-content/uploads/2012/01/filler.png" width="128" height="128" alt="Home" title="Home" /><br/><p>Há um ano, João Junior via seu amigo Tales Cerdeira, com quem divide apartamento, viajar para as Olimpíadas. Depois de ficar com o segundo tempo do 100 peito até a  última seletiva, João foi superado e perdeu a vaga. Há cinco anos, treinava no clube Álvares Cabral, no Espírito Santo e dividia a rotina de treinos com o trabalho de garçom, sem nunca ter chegado a uma seleção brasileira. Há nove anos, levava a faculdade de sistemas de informação, que conciliava com os treinos. Amanhã, João embarca para Barcelona, onde chega com o segundo melhor tempo do ano no 50 peito, com chances de brigar por medalha na prova. Nesta entrevista, ele fala sobre seu treinamento, a vinda para o Pinheiros em 2009, o que passou na sua cabeça após o Maria Lenk do ano passado e o que espera do Mundial.</p>
<div id="attachment_11472" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/joao2.jpg"><img class="size-medium wp-image-11472" title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/joao2-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Campeão do Maria Lenk pela 1a vez (Satiro Sodre/SSPress)</p></div>
<p><strong>Você viaja amanhã, como está a ansiedade?<br />
</strong>A gente sempre fica ansioso né. Ainda mais agora que começa o polimento, precisa se ocupar com outras coisas para não pensar muito na viagem. Quando chegar lá e começar a sentir o clima, mais ainda.</p>
<p><strong>Mas não é seu primeiro Mundial né? Mesmo para o de longa, você já foi em Roma-2009&#8230;</strong><br />
Não é novidade, mas acho que toda competição tem sua particularidade. A ansiedade de agora é diferente de 2009.Tinha sido minha primeira competição internacional, minha primeira seleção. Bate diferente. Não tem como ir com 100% de tranquilidade.</p>
<p><strong>E agora você está indo com o segundo tempo do mundo no 50 peito, com chances de medalha. </strong><br />
Eu estou indo para brigar nas duas provas. Nado primeiro o 100 peito, no domingo, e vou pensar primeiro nele, e depois nada o 50 peito, que só vou pensar quando acabar o 100.</p>
<p><strong>Esse ano também tem tudo aquilo de você ter ficado de fora de Londres, e agora fez um Maria Lenk muito bom. Muita gente te vê como modelo de superação e fala disso. Você se vê assim também?</strong><br />
O pessoal fala isso, de dar a volta por cima. Eu penso que eu não fiz mais que o meu trabalho. A natação é minha paixão, é uma coisa que eu sempre quis, mas é o meu trabalho. Eu vivo disso. Treinei para aquilo, e graças a Deus deu tudo certo. Ficar pensando nessas coisas de superação, coitadinho.. não gosto muito. Tudo bem, bati na trave ano passado, vivi quatro anos de um ciclo olímpico, bati na porta e não pude estar, mas é levantar a cabeça e bola para frente. Quero viver de novo esses quatro anos, e acho que pode ser diferente. Como eu vivi os outros quatro, sei os caminhos que posso seguir, o que não posso errar. Esse aprendizado de Londres eu vou levar pro Rio-2016.</p>
<p><strong>E você pensa no Rio já, ou tenta pensar nos degraus até lá?</strong><br />
É lógico que a gente sempre pensa no topo. Até lá é um longo caminho, mas três anos passam rápido. Hoje eu posso ser o melhor, e amanhã possa não ser. Gosto de levar cada etapa. Eu sei os degraus que eu tenho que subir para chegar ao Rio, sei onde eu tenho que estar em 2013, 2014, 2015. Eu vou passo em passo.</p>
<p><strong>Você veio para o Pinheiros em 2009, depois de ganhar o Open de 2008. Como foi essa vinda?</strong><br />
A minha vinda para cá foi um pouco conturbada. Eu venho de um estado [Espírito Santo] que forma ótimos atletas, mas que peca no investimento. Não adianta formar um atleta e não segurá-lo. Eu vinha batendo na porta todo ano, e nada. Eu podia ter saído de Vitória em 2004, só que eu teria que sair pagando tudo, tendo que me custear. E eu sempre quis ter uma faculdade, então coloquei na cabeça que só sairia de Vitória depois que me formasse. Muita gente me falava como era difícil se formar em uma faculdade fora do estado e viver só de natação. Então eu fiz faculdade de sistemas de informação, me formei em 2007, e dei continuidade a natação. Até nadei um pouco de maratona, porque estava treinando menos.</p>
<p>Mas em 2007 meu clube acabou com a natação competitiva. E eu não tinha nenhum resultado que desse pra sair recebendo salário. Recebi uma proposta do Álvares Cabral, de Vitória mesmo, para nadar lá em 2008. Naquele ano consegui que pagassem viagens, essas coisas, mas não teve tranquilidade. Tinha competições que eu não tinha passagem até o dia anterior, compravam no mesmo dia de manhã. Isso acaba atrapalhando qualquer atleta.</p>
<p>Então eu nadava no Álvares e tinha esses custos pagos, mas eu tinha 22 anos, não ia ficar pedindo dinheiro para o meu pai. Comecei a a trabalhar de garçom. Já trabalhava de guarda-vidas desde os 18 anos. Por morar na praia, e por meu ex-técnico ser o chefe de guarda-vidas, quase todos os atletas dele tinham que passar por isso. E 2008 foi justamente o ano que eu consegui despontar. Mas foi difícil. Eu consegui trabalhar nesse restaurante só de sábado e domingo, saía do Alvares 11h da manhã, no sábado, e tinha que estar no restaurante 12h, do outro lado da cidade, a 2 horas de ônibus.</p>
<p>No final de 2008 peguei Copa do Mundo de Moscou, e foi quando conheci o Ari, e deixei claro pra ele que queria vir treinar no Pinheiros. Ele falou pra gente esperar o Open. E no Open deu tudo certo, ganhei o 50 peito com índice pro Mundial, e fiz índice no 100 também. Assim consegui vir para cá em 2009.</p>
<p><strong>Então você fez essa grande competição antes de vir para o Pinheiros, e enquanto treinava e trabalhava. </strong><br />
Até porque se não fizesse eu não viria. Quando o Albertinho fez a proposta eu deixei bem claro pra ele, que eu só ia sair de Vitória se não precisasse depender dos meus pais. Ele falou para eu esperar. Em janeiro ele me avisou, no outro dia eu já comprei passagem e vim direto.</p>
<p><strong>Você já tinha 22 anos, e na sua prova tinha muita gente boa no Brasil. Você nunca tinha pego seleção brasileira de categoria. Por que continuou nadando?</strong><br />
Difícil. Acho que é a paixão pelo esporte. Eu fui muito persistente também. Todos meus amigos, que nadavam comigo no outro clube e no Álvares, todos eles pararam, e eram até melhores que eu na época.  É uma pergunta difícil, por que eu não parei&#8230; eu tive várias oportunidades de parar. Mas tinha o apoio da minha família, que foi muito crucial, meu pai sempre falou para eu ir atrás do que eu queria. E também me motivava muito que em 2004 eu falei para o meu pai que ele não ia pagar mais nada da natação para mim, nem passagem para ir pro treino. Foi quando eu comecei a me desdobrar. E eu tentei honrar o máximo possível o que eu falei. Acho que foi isso que me motivou a continuar, mostrar para ele que eu era capaz de alguma coisa. Meu pai é assim, se você falou você vai ter que cumprir. Me motivou muito mostrar para minha família que eu podia fazer isso sem depender deles, e o apoio que eles davam para eu seguir o que eu gostava também foi muito crucial.</p>
<div id="attachment_11473" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/joao.jpg"><img class="size-medium wp-image-11473" title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/joao-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Satiro Sodre/SSPress</p></div>
<p><strong>Você pensava em Olimpíada, Mundial, ou naquela época pensava mais no próximo ano, em melhorar cada vez mais?</strong><br />
Naquela época, até 2008, eu pensava no próximo ano. Lógico, eu me via nadando igual os caras, mas não me via sendo capaz de chegar aonde eu cheguei até agora. Eu me via tentando competir, mas não fazendo tudo isso. Ainda mais eu, que minha primeira seleção foi com 23 anos. Minha primeira medalha em competição grande foi em 2009, o Open de Paris, eu ali de gaiato. Já chegar e poder representar bem, é bem diferente. Eu fui campeão do Maria Lenk só agora, em 2013, do Finkel só em 2011.</p>
<p><strong>Como foi a adaptação para cá, uma equipe muito maior, com muitas estrelas, inclusive no peito?</strong><br />
Meu medo de sair de lá era assim: vou trocar de time, de vida, será que em três meses vou me manter no Mundial? Conversei muito com o Ari, ele me disse que na teoria a adaptação demorava seis meses, mas que bastava eu querer. E naquela época,  eu não imaginava o que eu podia fazer. Queria mostrar serviço para o clube, que tinha alguns dos melhores do mundo. E tinha a garra também, porque era o meu sonho na época treinar com o Ari, o França, o Tales, com todos os melhores de peito do Brasil. E ter o Guido, César, Mangabeira&#8230; era uma equipe de peso, pra mim era uma honra fazer parte daquele time. Isso me motivou muito, e deu certo o trabalho em três meses. Porque eu poderia chegar no Maria Lenk e perder a vaga do Mundial.</p>
<p><strong>Como foi vir para São Paulo, uma cidade muito maior, com muitas opções, e dessa vez sem precisar trabalhar, você acabou tendo muita distração? </strong><br />
Na época eu vim para morar com o [Felipe] França, o Tales [Cerdeira] e o André Brasil. Eu fui morar na sala, tinha uma cama e um armário, e era o que dava para eu pagar. Fiquei até junho morando na sala, depois o França saiu e foi morar sozinho e eu fui para o quarto dele. Hoje moramos lá só eu e o Tales, o André Brasil casou.</p>
<p>São Paulo é muito legal, mas é fácil você se perder. Venho de uma cidade em que tudo fecha cedo. São Paulo é 24 horas. Logo que eu cheguei fiquei meio deslumbrado com a gama de coisas. Poder sair para o mercado a qualquer momento, para comer a qualquer momento, e até pras festas. Não vou mentir, a gente sai e se diverte. Mas quando eu vim pra cá, eu pensava muito em mostrar serviço, então fui certinho até demais no início. Depois você vai aprendendo a conviver com tudo, usar o lado social e profissional junto.</p>
<p>Dá pra se divertir muito com moderação. Eu to falando do meu corpo, não posso me dar ao luxo de perder uma noite. Eu até posso, mas quem vai sofrer amanhã sou eu. É uma disciplina forçada, vivo de um esporte que se meu corpo não estiver 100% bem, não vai responder. Sair, eu deixo muito mais para quando estou de férias. Que é aquela uma semana que tenho que aproveitar, que posso perder uma noite, sair durante a semana. Durante a temporada, é só no final de semana, e sem perder noite.</p>
<p><strong>Você começou treinando com o Ari, e agora está com quem?</strong><br />
Logo depois do Maria Lenk 2012, o Amém ficou com o Daniel [Orzechowski], o Ari com o França e o [Bruno] Fratus, e o grupo todo junto com o Tomazini e o Sérgio Marques. Todo mundo do Ari que não foi para as Olimpíadas passou a treinar com o Sérgio. E desde então deu certo. Hoje eu não me vejo treinando com outra pessoa. O trabalho dele é totalmente diferente do Ari, e eu me adaptei muito rápido. São trabalhos diferentes e dá para os dois darem certo.</p>
<p><strong>Sei que você não quer ficar como coitadinho, mas como foi esse pós Maria Lenk do ano passado? Você chegou a pensar em parar de nadar em algum momento?</strong><br />
Seria hipócrita se eu te falasse que não. Claro que passa. A gente abre mão de tanta coisa. De família.. no Open de 2011, quando eu fiz o índice olímpico, eu perdi minha vó na mesma semana. Aquilo foi um baque para mim, porque eu pensava que estava sendo muito egoísta, de estar separado para viver uma coisa que é minha, que eu quero. Minha mãe deixou para me contar faltando três dias para a competição. Depois do Maria Lenk de 2012, quando eu vi que não tinha mais como, na hora passa um filme. Pensei, abri mão de quatro anos da minha vida para viver isso, e não to vivendo, e nem vou viver. Dá uma frustrada, porque você coloca todas as fichas para viver o sonho. Na noite ali, foi muito difícil para dormir. Mas no outro dia de manhã, já acordei pensando, não estou na Olimpíada agora, mas eu quero viver isso de novo.</p>
<div id="attachment_11471" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/joao3.jpg"><img class=" wp-image-11471 " title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/joao3-800x533.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a><p class="wp-caption-text">Vaga garantida para o Mundial-2013 (Foto: Satiro Sodre/SSPress)</p></div>
<p>É difícil que todo mundo vem dar tapinha nas costas, isso que é o ruim. O pessoal falando &#8220;não deu,  um dia vai dar&#8221;. A parte mais difícil foi lidar com a derrota. Mas no outro dia eu já apaguei e pensei no próximo trabalho. A gente tirou uma semana de férias, revi minha família, meus pais sempre me apoiando, falando que eu ia viver isso de novo, e eu coloquei a cabeça no lugar. Isso fortalece mais. Quando eu voltei das férias, já estava com a cabeça no lugar, pensando onde errei para não errar de novo.</p>
<p><strong>E você tem uma avaliação de quais foram esses erros? Acha que foi algo técnico?</strong><br />
Não, acho que foi psicológico mesmo. Técnico todo mundo estava preparado, todos que estavam brigando treinaram muito. O que eu consegui perceber logo em seguida foi que a cabeça pegou.  Uma coisa que eu deixei acontecer foi deixar o nome Olimpíadas crescer demais, colocar isso no altar. O que eu pequei foi chegar atrás do bloco e sentir esse peso. E na hora não conseguir resolver, isso que eu errei. Eu treinei igual ao França, tinha dias que até um pouco mais. Estar preparado fisicamente eu estava, mas psicologicamente não.</p>
<p><strong>Você acompanha competição lá de fora, pensa em tempo, sabe quanto tem que fazer para ser final, medalha em Barcelona?</strong><br />
A gente acompanha, até porque a natação hoje está muito mais tecnológica. Você tem recurso de tudo, de vídeo, biomecânica. Eu acompanho todos os principais adversários, tenho análise biomecânica das principais provas de todos eles, e as minhas também. É uma questão de saber onde eu não posso errar e onde eu to errando. Eu sei que se eu sair um pouco antes da parte submersa eu vou nadar igual. A gente acompanha os atletas do mundo inteiro, de analisar o nado, e ter esses dados para juntar com os seus e acertar. Ver o que eu tenho que fazer para nadar abaixo de 1&#8217;00, por exemplo. Não sei quanto eu tenho que fazer para pegar medalha, mas sei que na final eu vou brigar por medalha. E na final, o que importa não é tempo, é bater entre os três.</p>
<p><strong>Você treina mais para o 100? Como é seu treino?</strong><br />
Meu treino hoje é voltado para o 100, por ser prova olímpica. Mas o Sérgio acaba montando de um jeito para eu não perder minha velocidade. Treino para o 100 sem perder minha característica de velocidade. A gente encaixa a especialidade que tem na prova que vai nadar.</p>
<p><strong>Você consegue se manter concentrado numa competição dessas, com tantas estrelas, sem se deslumbrar?</strong><br />
Cada competição é um aprendizado e tem sua especificidade. Minha cabeça está totalmente diferente de Roma. Lá eu cheguei, claro que com expectativa de medalha, mas não tinha chance. Fui mais para me conhecer, sentir como era. Era meu sonho conhecer o Kitajima, o Cameron, você fica meio olhando. Mas vai crescendo e ganhando seu espaço também. Já não chego mais falando &#8220;olha lá fulano de tal&#8221;. Até porque eu escrevi minha história também. Tento não pensar muito em quem vai ou não nadar.</p>
<p>Estou indo bem concentrado para essa competição, consciente do que eu treinei, do que passei para chegar até esse momento. Não só de tudo que eu passei do pós Olimpíadas, mas desde quando eu comecei a nadar. A natação é uma continuidade, você colhe o que planta. Eu bati algumas vezes na trave, mas nunca baixando a cabeça. Vou para lá para dar meu melhor. Sei que  o brasileiro coloca muita expectativa nos seus esportistas. Tenho consciência tranquila de que eu briguei até o final. Para fazer bem o que eu tenho que fazer, e como consequência conseguir uma medalha, ou um bom resultado.</p>
<p><strong>Como é a relação com o pessoal do Pinheiros, vocês são amigos?<br />
</strong>Natação é muito intenso, tudo. Os meus amigos é a natação, eu vivo o dia inteiro com eles. A minha família é a natação. Todos os momentos bons, ruins, eu passo com eles. O ciclo de amizades que você faz na natação é muito forte.</p>
<p>Pega 50 pessoas e faz um planejamento de 13 semanas, onde você vai ter semanas de alto stress, cansaço quase passando do limite. Isso é intensidade. Você cria um vínculo muito forte. Claro que com alguns você conversa menos, mas é muito intenso. Na temporada pro Maria Lenk, tinha 14 pessoas na minha equipe. Pro Mundial, são dois, eu e a Bia[Travallon]. Você não tem como dividir o stress de 14 para 2, fica 50% para cada, o vínculo fica muito forte. Eu até falo que aprendi mais da mulher de ser o único homem nessa &#8220;equipe de dois&#8221;.</p>
<p><strong>E você mora com um adversário seu também, não deve ser fácil.. </strong><br />
Não é fácil, mas o que ta dando certo até hoje é que quando entra em casa a gente não mistura as coisas. Ele é meu melhor amigo, moro com ele há 5 anos. Se nós dois fossemos cabeça fraca, de misturar as coisas, a gente não estaria morando junto. Dentro de casa não somos adversários, somos bons amigos.</p>
<p><strong>Você consegue ficar feliz por ele, quando ele foi pra Londres e você não por exemplo, e ele agora com você?</strong><br />
A amizade também é intensa.  Por conviver com ele todos os dias, por cinco anos, eu quero o melhor pra ele e ele pra mim. Claro que eu queria que os dois tivessem nas Olimpíadas, não deu, eu vou torcer pra ele e apoiar. Igual ele ta me apoiando agora que não pôde estar no Mundial. Ele fala pra mim hoje, eu sei que você vai nadar bem lá.</p>
<p><strong>Você conseguiu assistir as Olimpíadas, conseguiu assistir as provas de peito?</strong><br />
Sim, assisti todas as provas.</p>
<p><strong>Sem problemas ?</strong><br />
Não&#8230; não porque você pensa pô, o tempo que eu fiz estaria numa final. O tempo que o França fez no Maria Lenk, era medalha na Olimpíada. No dia eu pensei, poderia ser finalista olímpico. NA hora eu fiquei meio puto, mas comigo, não com eles dois, que chegaram com os méritos deles. Fiquei puto comigo de ter nadado várias vezes abaixo do tempo para entrar na final mas na hora não conseguir resolver.</p>
<p><strong>Você preferiria que fosse como esse ano, com uma seletiva só?</strong><br />
Todas as vezes que eu perdi índice, em 2011 para o Mundial e PAN, eu chegava na final e ficava em segundo, só perdia pro França. Você acaba pensando, putz, é o cara de uma prova só. Mas você tem que se adequar com as regras que tem. O Brasil adota os melhores tempos, vamos trabalhar com isso.  Em 2011 eu perdi a vaga pro Felipe Lima, do PAN, por um centésimo. E meu tempo também, era medalha no PAN. Mas a gente respeita o que o Brasil adota. Não posso dizer que aprovaria final. Eles fazem as regras, a gente nada.</p>
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		<title>Passaporte carimbado: Leo de Deus</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jul 2013 12:45:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Nantes]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img src="http://esporteempauta.com.br//wp-content/uploads/2012/01/filler.png" width="128" height="128" alt="Coberturas" title="Coberturas" /><br/>Leonardo de Deus tem 22 anos e, nas suas palavras, "já viu tudo que tinha que ver". Atleta do Corinthians desde o início do ano, Leo viaja na sexta-feira para seu segundo Mundial de piscina longa. Nesta entrevista, em que fala de sua trajetória, do momento difícil pós Olimpíadas de Londres, da escolha do Corinthians e faz planos para frente: "Eu penso todos os dias em 2016"
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<img src="http://esporteempauta.com.br//wp-content/uploads/2012/01/filler.png" width="128" height="128" alt="Coberturas" title="Coberturas" /><br/><p>Leonardo de Deus tem 22 anos e, nas suas palavras, &#8220;já viu tudo que tinha que ver&#8221;. Atleta do Corinthians desde o início do ano, depois de deixar o grupo de alto rendimento PRO-16, Leo viaja na sexta-feira para seu segundo Mundial de piscina longa buscando se surpreender. Em Shangai, há dois anos, se classificou das eliminatórias com o segundo tempo, mas na semifinal sentiu a pressão e acabou em 13o. &#8220;Agora chegou a minha hora&#8221;, conta o atleta nesta entrevista, em que fala de sua trajetória, do momento difícil pós Olimpíadas de Londres, da escolha do Corinthians, de porque ficou no Brasil quando teve propostas para sair e faz planos para frente: &#8220;Eu penso todos os dias em 2016&#8243;.</p>
<p><strong>Você foi semifinalista olímpico no 200 costas e após o Maria Lenk estava até melhor no ranking mundial nesta prova. Mas sua prova preferida é o 200 borboleta?</strong><br />
<strong></strong><br />
Sim, o 200 borbo</p>
<p><strong>E como está a sua expectativa para o Mundial de Barcelona?<br />
</strong>Eu já venho de Shangai, meu primeiro mundial de longa, em 2011, quando eu fui semifinalista. Passei das eliminatórias com o segundo tempo e na semifinal senti toda aquela pressão. Já fui semifinalista olímpico também. Esse foi um ano de mudança, sai do Flamengo e do PRO-16 e vim para o Corinthians. Muita coisa mudou, acho que minha fisiologia está melhor para o 200 borboleta e 200 costas. Então eu estou esperando me surpreender no mundial. Espero fazer meus melhores tempos, me sinto como nunca senti antes. Estamos na reta final, faltam 17 dias para eu pular na água e nadar esse 200 borboleta <em>[a entrevista foi concedida no sábado; hoje, já são apenas 13 dias]. </em>Agora é so esperar.</p>
<p><strong>Como foi a vinda para cá, e por que o Corinthians?<br />
</strong>Esse ano aconteceram muitas mudanças na natação brasileira. A saída da Patrícia<em> [Amorim, presidente do Flamengo na última gestão],</em> o fim da equipe absoluta do Flamengo. Isso movimentou toda a natação brasileira, atletas ficaram sem clube, a natação ficou conturbada. Eu estava treinando no PRO e já estava vendo que não estava dando certo, estava querendo achar o que era melhor pra mim.</p>
<div id="attachment_11380" style="width: 586px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/leo.jpg"><img class=" wp-image-11380  " title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/leo-800x533.jpg" alt="" width="576" height="383" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Satiro Sodre/SSPress</p></div>
<p>Eu tive propostas de outros clubes, e vim aqui conversar com o Carlos Matheus e vi que era o que eu queria. Eu precisava que fosse um clube grande e me desse estrutura como o Corinthians está dando. Já fizemos treinamento em altitude, competimos nos EUA, isso tudo quem estava bancando era o Corinthians. Eu precisava de um time forte, de um trabalho bom, e de um técnico que estava na mesma sintonia que eu, jovem, e com vontade de conquistar as coisas comigo. Isso pra mim foi o mais importante nessa escolha.</p>
<p><strong>No PRO você treinava com as maiores estrelas da natação brasileira, Cielo, Thiago&#8230;<br />
</strong>Sim, e eu treinava com o Albertinho, que trouxe as medalhas do Cielo e do Thiago Pereira. Mas era aquilo, a gente estava em uma equipe de estrelas. Quase todos os melhores atletas do Brasil estavam lá, mas comecei a sentir que precisava caminhar com minhas próprias pernas, que precisava de um trabalho para mim, de um técnico para conquistar as coisas do Leonardo de Deus, e não ficar na sombra do Cielo e do Thiago. Eu vi que ficando no PRO-16, depois do resultado do Cielo, que não foi o que a gente esperava, não ia dar certo. Eu precisava ver o que era melhor pra mim. Acertei em cheio no que eu queria para minha carreira.</p>
<p><strong>Você comentou que sentiu a pressão em Shangai. Como trabalhou isso para as Olimpíadas e como trabalhou o que aconteceu em Londres também?<br />
</strong>Eu tinha 20 anos em Shangai, era meu primeiro Mundial e minha primeira competição internacional para valer. Cheguei na eliminatória e classifiquei em 2º, do lado dos melhores do mundo, ninguém sabendo quem eu era. Na semifinal eu viajei. Porque é um show de natação, não é só um campeonato. Eu me deslumbrei com tudo aquilo, e acabei me perdendo na hora de nadar. Fiquei em 13º, fora da final.</p>
<p>Um ano depois eu tinha crescido muito, e fui para as Olimpíadas. Cheguei com o 6º tempo do mundo, e sai sem nem classificar para semifinal. Foi onde muita coisa esclareceu na minha cabeça. Você se pergunta: o que eu tô fazendo? O que tenho para melhorar? Se você acha que trabalhou tanto, não classificar nem entre os 16, você para e pensa, algo de errado eu fiz. Passando a Olimpíada foi uma fase muito difícil para mim. O que eu senti, a amargura e tristeza do resultado, eu cair e ter que me levantar. E nem um ano depois estar indo pro mundial, animado, motivado, na minha melhor da forma, no meu melhor peso e força.</p>
<div id="attachment_11381" style="width: 210px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/leo_pan.jpg"><img class="size-medium wp-image-11381" title="PAN GUADAJARA 2011/NATAÌO" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/leo_pan-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Campeão no PAN-2011 (Foto: Satiro Sodr/AGIF)</p></div>
<p>Tenho 22 anos e eu vi tudo que eu tinha que ver. Agora não tem mais desculpa. Já fui para Mundial de longa, de curta, Olimpíada, agora chegou minha hora. Estou me sentindo bem, motivado e feliz onde eu estou. Se Deus quiser, as coisas boas vão surgir.</p>
<p><strong>Você nada primeiro o 200 borboleta, prefere assim ou era melhor algo antes para quebrar o gelo?<br />
</strong>Eu estou acostumado a nadar primeiro o 200 borboleta, sempre é assim. Mas tô cogitando a hipótese de nadar um 400 livre na primeira etapa. Eu fiz um tempo forte no Brasileiro em Curitiba, e é uma prova que hoje o Brasil não tem muitos atletas. Talvez eu nade essa prova no Mundial para quebar o gelo. Mas ainda estamos vendo, viajo na sexta-feira e vamos decidir.</p>
<p><strong>Do jeito que você fala me parece que você, o Ernesto e o Carlão estão numa sintonia muito boa.<br />
</strong>Todo mundo até brinca, você e o Ernesto estão parecendo irmãos. E o Carlão também, estamos treinando em horário separado, tendo tratamento especial, que é o certo. O alto rendimento tem que ter isso, um técnico para você, puxando orelha toda hora. O Ernesto veio de situação difícil, eu fiquei sem clube, vim de resultado ruim, o Carlão também passou por dificuldades pessoais, então a gente superou tudo isso. Estamos bem, fazendo um treino melhor que o outro. Amanhã é o melhor treino da minha vida, e depois de amanhã é o melhor treino da minha vida também, e ai em diante. Superamos as dificuldades e nos levantamos, estamos bem no momento certo. Agora é aproveitar isso e colher os frutos, a gente merece .</p>
<p><strong>Nas categorias de base você nadava várias provas, 400 livre, 1500 livre, fundo, borboleta, costas. Em que momento começou a focar no 200 borboleta?<br />
</strong>Esse momento para o atleta é muito importante. No infantil, juvenil, eu nadava todas as provas. Nadava de 100 livre a 1500, todos os estilos, menos peito que eu sempre fui uma negação. Sempre tive esse cuidado, meus técnicos e meu pai, que sempre foi muito estudioso, sempre falou para eu nadar tudo, e quando entrasse no absoluto eu especificaria na principal prova. Até hoje se me colocar para nadar qualquer prova, eu tenho uma base.</p>
<p>Acho que hoje no Brasil as crianças estão especificando muto cedo em uma prova, não sei se isso é certo. Tem que nadar tudo, e especificar conforme fica mais velho. Foi o que eu fiz e deu certo. Nos EUA os caras treinam tudo, nadam uma prova atrás da outra nas competições, acho que é importante pro crescimento do atleta.</p>
<p><strong>Você chegou a pensar em ir treinar lá?</strong><br />
Quando eu tinha 17 anos fui chamado para nadar em Auburn e também em Michigan. Mas uma dificuldade para mim é que eu sempre fui muito família. Cresci com minha família do lado e no esporte eles sempre estiveram comigo. Foi difícil tomar essa decisão, porque para mim todo mundo que vai bem vai para fora. Eu pensava que tinha que ir, mas não queria largar da minha estrutura, família, da minha comida. Para um garoto de 17 anos, ir pra lá sozinho não é facil.</p>
<p>Não foi fácil decidir, mas eu conversei e decidi ficar aqui, trabalhar, e falei para minha família: &#8220;prometo que vou conquistar minha medalha olímpica  treinando no meu país&#8221;. Acho que foi essencial que sempre tive clubes que me apoiaram, todos que eu passei. Ano passado eu terminei em 15º do ranking mundial. E esse ano estou com chances de brigar pelas provas que vou competir no Mundial. Eu preferi ficar no meu país e construir minha medalha aqui.</p>
<div id="attachment_11382" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/leo2.jpg"><img class="size-medium wp-image-11382" title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/leo2-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Maria Lenk 2013 (Foto: Satiro Sodre/SSPress)</p></div>
<p><strong>Você pensa em medalha pra 2016 então.<br />
</strong>Eu penso todos os dias em 2016. É lógico que antes tem o mundial de Barcelona, o Pan Pacífico, o Pan-americano, onde eu quero ser bicampeão. É uma escada, tem que ir um de cada vez. Mas a todo momento eu estou visando Rio -2016. Até porque uma Olimpíada no nosso país vai ter uma visibilidade tremenda. Visibilidade, dinheiro, futuro, tudo. A gente treina tanto, abdica de tudo, para lá na frente virar o que?</p>
<p>Eu quero ser medalhista olímpico dentro do meu país. Depende de mim e de quem trabalha comigo, mas a gente está no caminho certo e acredita na medalha em 2016. E tem que confiar, porque se eu não acreditar quem vai acreditar?</p>
<p><strong>Como você se comporta nos treinos? Gosta de treinar, fica triste se nada mal?</strong><br />
Atleta de alto rendimento é meio louco. A gente sempre quer chegar no nosso limite. Eu venho todo dia para o treino como se fosse uma competição. Toda série é uma competição, toda série tem que ser no máximo. Isso faz o atleta amadurecer. E faz parte abdicar de tudo também. Eu fico triste quando nado mal, mas faz parte.</p>
<p><strong>Está fazendo faculdade?<br />
</strong>Não. Depois desse Mundial, se Deus quiser eu vou estar com a cabeça mais tranquila e posso ver isso. Esse ano foi de transição, eu mudei de casa, de clube, preferi me estabilizar.  Eu tenho 22 anos, no momento o mais importante é a minha carreira.</p>
<p>Eu sei que estudar é importante mas infelizmente no Brasil não dá para estudar e treinar em alto rendimento. Não é que nem nos EUA, que você faz tudo no mesmo lugar. E eu sou jovem, meu pai está fazendo pós em marketing agora, meu avô se formou em Medicina com 40 anos. Eu posso estudar depois, mas nadar eu tenho um tempo, estou aproveitando meu corpo agora para crescer, virar um atleta de nome, crescer.</p>
<p><strong>Você coloca dicas de treino e de natação nas <a href="https://www.facebook.com/LeodeDeusOficial">redes sociais</a>, como surgiu isso?<br />
</strong>Eu treinei com a Rebecca Gusmão, com o Cielo, Thiago Pereira, e muitos me davam dicas que ajudaram muito. Eu pensei, se esses grandes atletas falassem para as crianças o que eles falam para mim durante o treino, iam ajudar muita gente. Ao invés de ajudar só eu, iam ajudar a natação brasileira inteira.</p>
<p>Eu pego esse exemplo deles, das dicas que me deram, isso me ajudou no amadurecimento como atleta. Eles fizeram isso para mim, eu quero fazer isso para eles também, mas de forma mais global. Quem quiser pode seguir minhas dicas, meu <a href="http://leonardogdeus.com/category/blog/">blog</a>, meu <a href="http://instagram.com/leogdeus/">instagram</a>, não só os atletas do meu clube, mas todos.</p>
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		<title>Passaporte Carimbado: Fernando Ernesto</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jul 2013 15:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Nantes]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Natação]]></category>
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		<category><![CDATA[Mundial de Barcelona]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://esporteempauta.com.br//wp-content/uploads/2012/01/filler.png" width="128" height="128" alt="Home" title="Home" /><br/>Fernando Ernesto Santos teve no Maria Lenk de 2013 a melhor competição da sua vida. O atleta do Corinthians saiu do Rio de Janeiro com vaga para o Mundial de Barcelona, conseguindo pela primeira vez um lugar na competição mais importante da natação junto com as Olimpíadas. Nadador de costas, ele passou a nadar também crawl quando foi treinar nos Estados Unidos em 2010
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				<content:encoded><![CDATA[<img src="http://esporteempauta.com.br//wp-content/uploads/2012/01/filler.png" width="128" height="128" alt="Home" title="Home" /><br/><p>Fernando Ernesto Santos teve no Maria Lenk de 2013 a melhor competição da sua vida. O atleta do Corinthians saiu do Rio de Janeiro com vaga para o Mundial de Barcelona, conseguindo pela primeira vez um lugar na competição mais importante da natação junto com as Olimpíadas. Nadador de costas, ele passou a nadar também crawl quando foi treinar nos Estados Unidos em 2010, e desde então passou a dar mais atenção para as provas de 100m e 200m livre.</p>
<div id="attachment_11345" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/ernesto.jpg"><img class="size-medium wp-image-11345 " title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/ernesto-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">100 livre no Maria Lenk (Foto: Satiro Sodre/SSPress)</p></div>
<p>Natural de Presidente Prudente, Ernesto saiu de casa aos 16 anos e nunca integrou uma seleção brasileira nas categorias de base. Nesta entrevista, ele fala sobre sua motivação para continuar nas fases difíceis, a mudança de postura nos últimos anos, sua relação com o técnico Carlos Matheus, o que passou na sua cabeça quando viu que foi segundo no 100 livre e o significado de nadar para 48&#8221;72: &#8220;Meus ídolos, os caras que eu via pegando medalha olímpica, alguns nem fizeram isso, e agora eu estou fazendo. Provando para mim que a gente não tem que colocar barreiras&#8221;.</p>
<p><strong>Já está definido como será a decisão da vaga do 100 livre? <em>[Ernesto empatou com Nicolas Oliveira na segunda colocação do 100 livre no Maria Lenk. Os dois estão garantidos no revezamento 4x100 livre, mas precisarão disputar a vaga para a prova individual]</em><br />
</strong>Sim. A gente chega no dia 20 de julho em Barcelona, e decidimos no dia 22. Vai ser um tiro, quem bater na frente leva.</p>
<p><strong>Sua preparação está voltada para isso?</strong><br />
Na verdade estou me preparando para o Mundial. Não adianta eu ganhar a vaga e não fazer nada. Lógico que um dia antes a gente não vai treinar forte, já vai estar no descanso. Mas estamos visando o Mundial, e isso vai estar no caminho. Não chega a ser uma rixa, somos amigos. Infelizmente só tem uma vaga. O importante é fazer o melhor para o Brasil.</p>
<p><strong>E os dois vão nadar o revezamento&#8230;<br />
</strong>É, acho que esse foi o principal motivo pra não ter resolvido ainda. Se não tivesse revezamento, ia decidir antes. Por mim, resolveria no sorteiozinho até&#8230; mas não tem o que fazer, então vamos pra cima.</p>
<p><strong>Você vai nadar o revezamento 4&#215;200 livre também. Nas categorias de base você nadava costas, e depois começou a nadar bem o 200 livre e agora o 100. Como foi isso?<br />
</strong>Quando eu fui para os EUA, em 2010, não conseguia treinar costas como antes, porque doía um pouco meu ombro. Lá eles tem costuma de nadar muitas provas, então o coach [Alex Pussieldi] começou a me colocar para nadar o 100 e 200 livre. Na primeira competição que nadei 200 livre, o Lochte ganhou com 1&#8217;51, e eu fiquei em segundo com 1&#8217;52, que não era um tempo ruim na época. Não dava mais tempo de me inscrever na prova para o Maria Lenk, mas inscrevi para o Finkel e fiz o índice do Mundial de curta. Foi ai que eu comecei a treinar crawl. E tem mais vagas, por causa do revezamento. Mas achei que era fácil né? Falei &#8220;Po, nadei a primeira vez e peguei Mundial&#8230;&#8221;. Mas não é fácil.</p>
<p>Depois voltei para o Brasil, pra treinar no Corinthians, e continuei insistindo mais no crawl, fui entrando cada vez mais no bolo. O resultado está aí. A gente percebeu que estava dando bons tempos, começando a chegar num alto nível. Mas ainda tem muita coisa para melhorar. Eu continuo  nadando costas, mas agora o programa do Maria Lenk e Finkel ficaram ruins para algumas provas, que ficaram logo depois do crawl. Mas foi bom porque abriu meu leque, acabei virando mais versátil.</p>
<p><strong> O 100 livre foi uma surpresa? Você estava treinando mais para o 200?</strong><br />
Eu estava treinando para o 200, na verdade crawl. Só que como eu sou um pouco mais pesado que o pessoal que treina 200 aqui no time, principalmente na reta final o Carlos comecou a me dar umas coisas mais rápidas, treinos mais de velocista. Acabou andando as duas provas, isso foi muito bom. Se eu treinar só para o 100, não nado o 100. Mas se treinar pro 200 e no final especificar um pouco para o 100m, consigo nadar as duas. Eu não passo tão rápido, mas volto forte.</p>
<p><strong>Você esperava aquele tempo no 100 livre?</strong><br />
Três semanas antes eu dei 49&#8221;6 numa tomada de tempo no Pinheiros que já era meu melhor. O objetivo era 49&#8221; baixinho ou 48&#8221; alto para garantir o revezamento, não ficar dependendo só do 4&#215;200. E para nadar para 48&#8221;alto tava perto do índice. Agora 48&#8221;7 eu fiquei bem surpreso.</p>
<p><strong>Para último dia de competicão&#8230;<br />
</strong>Também, último dia de competição. Eu fiquei bastante surpreso. Porque era um tempo, que por exemplo, o Gustavo Borges não fez esse tempo, o Fernando Scherer fez 4 centéimos abaixo. Meus ídolos, os caras que eu via pegando medalha olímpica, final de Mundial. E hoje eu tô fazendo esse tempo. Provou pra mim que a gente acaba colocando barreiras, e se não colocar fica tudo mais fácil.</p>
<p><strong>Que tempo você viu primeiro? Como percebeu que tinha empatado?<br />
</strong>Eu vi primeiro o meu. Foram frações de segundo: cheguei e vi 72 e já sai xingando, achei que tinha sido 49&#8221;72. Logo vi todo mundo comemorando e falei nossa, 48&#8230;. Ai vi o Marcelo [Chierighini, que ficou com a primeira vaga], abracei ele. Quando a poeira baixou eu fui ver quem ficou em 3o. &#8220;Tem dois segundos!&#8221;. Vi assim que tinha empatado. Acabou que o pessoal da Sportv deu mais mídia para mim e para o Nilo do que para o Marcelo que fez o 3o melhor tempo do mundo na época.</p>
<div id="attachment_11347" style="width: 586px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/ernesto2.jpg"><img class=" wp-image-11347 " title="Trofeu Maria Lenk/Natacao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/ernesto2-800x533.jpg" alt="" width="576" height="383" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Satiro Sodré/SSPress</p></div>
<p><strong>É claro que você quer nadar bem lá, mas nadar seu primeiro Mundial deve ser a realização de um sonho. Quando você mentaliza a competição, o que vem na sua cabeça?<br />
</strong>O Mundia de longa é sempre mais cobiçado. Para mim era um sonho que virou objetivo, mas não deixa de ser um sonho. Depois que eu consegui a vaga, nadando ou não o 100 livre, eu tenho que pensar em fazer meu melhor. Essa é a cabeca que eu tô indo. Treinando muito bem, focado, competi bem nas competições preliminares, em Santa Clara [GP dos EUA] e no Sette Colli [competição na Itália]. O tempo, a colocação, é resultado da minha melhor saída, melhor virada. Isso que a gente chama de &#8220;step by step&#8221; e eu to trabalhando com meu psicólogo, com a comissão técnica: fazer a melhor saída, a melhor transição, pensar em cada movimento. Pensar em executar tudo na melhor forma, e não no resultado final.</p>
<p><strong>Se o revezamento nadar sério, vocês devem chegar na final. Consegue se imaginar numa final de Mundial?</strong><br />
É&#8230; tem que imaginar! Juntar os quatro e fazer muito bem feito, todo mundo dar o melhor. O 4&#215;100 livre é um revezamento que tem muita tradição, e faz um tempo que está deixando um pouco a desejar. Com esses quatro que estão, acho que dá para entrar na final, e na final é outra história, cada um pode se superar um pouquinho, o adversário pode vacilar.  Mas é um sonho mesmo. Um sonho que virou objetivo, não é um bixo de sete cabeças, todo mundo que está lá já passou por isso uma vez na vida, tem que encarar da melhor maneira.</p>
<p><strong>Você nunca pegou seleção brasileira de categoria e chegou pela primeira vez na seleção em 2010. Em algum momento chegou a pensar em parar de nadar?<br />
</strong>Na categoria tinha o Guido um ano mais velho. Juntava dois anos e ele sempre pegava seleção. No ano que eu fui lá e ganhei a prova no Brasileiro e ia, o Leonardo Guedes nadou muito e eu não peguei a seleção. Eu sempre coloquei para mim mesmo que eu queria chegar em algum lugar, e principalmente na Olimpíada. A do ano passado escapou por 50 centésimos. É até muito para 100 metros, mas eu achei que dava. Não foi o caso.</p>
<p>Eu não desisti, principalmente, porque quando eu sai de Prudente falaram que eu não ia conseguir. Acho que isso sempre serviu de motivação. Por que eu não vou conseguir? Por que eu não posso? Natação é um pouco injusto às vezes, você treina às vezes melhor que os outros, mas treino não ganha jogo. Essa não classificação para as Olimpíadas me fez repensar toda trajetória, porque eu não parei quando não pegava seleção de categoria, porque não parei quando fiquei quase 2 anos sem resultado expressivo. Me fez trabalhar muito meu lado psicológico. Eu tinha certeza que meu físico estava muito bem em todas as competições, mas o lado psicológico não. Foi onde começou a reviravolta.</p>
<p><strong>Você treinava nem e não conseguia fazer o mesmo na competição?</strong><br />
Eu treinava muito bem, competia bem, mas sempre acabava a competição com um ar que &#8220;faltava&#8221; algo. Acho que esse Maria Lenk foi a primeira competição que eu sai pensando &#8220;Missão cumprida&#8221;. Mas não me acomodei. Senti o gostinho e você não quer sair. Mas se manter é muito difícil também. Em 2009  eu ganhei o 200 costas, foi minha primeira vitória, mas fiquei a poucos centésimos do índice de Roma. Foi bacana, mas faltou algo. Ano passado para as Olimpíadas eu melhorei todos os resultado, mas não peguei a vaga do revezamento, então faltou algo. Dessa vez eu senti que nadei muito bem, o 200 livre, o 50 costas, o 100 livre, os revezamentos, e ainda calhou de fazer o índice e pegar o revezamento.</p>
<p><strong>Foi a melhor competição da sua vida&#8230;</strong><br />
De longe. Mas todas as outras foram muito importantes, as que nadei bem, as que não nadei, para eu chegar onde eu to agora. E tem muita lenha para queimar.</p>
<p><strong>Você foi para os EUA enquanto nadava no Santa, em 2010. Por que voltou?</strong><br />
Engraçado que eu sai para os EUA no ano que ganhei o Maria Lenk, então não é que eu estava nadando mal. Mas eu sentia que precisava de mais, e era um sonho ir para os EUA. Queria ver qual era a mágica de lá. E vi que não tem segredo, é treino. Mas eu mudei muito meu pensamento, falo que virei nadador de verdade lá. Fiquei mais competitivo, nadava contra Lochte e grande nomes em qualquer competicão. Eu acho que fui porque não tinha mais nada para tirar do Santa, achava que ia me acomodar. E foi o mesmo lá para voltar. Tenho certeza que se não fosse eu não conseguiria executar bem os treinos do Carlão aqui. Não arrependo nem um pouco de ter ido, acho que foi a melhor decisão da carreira ter ido e ter vindo na hora que voltei.</p>
<div id="attachment_11346" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/carlao.jpg"><img class="size-medium wp-image-11346" title="carlao" src="http://esporteempauta.com.br/wp-content/uploads/2013/07/carlao-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Com o técnico Carlos Matheus</p></div>
<p><strong>E você se adaptou bem ao treino do Carlão. </strong><br />
<strong></strong><br />
Ele é muito sangue nos olhos, tem muita paixão pelo que faz, e passa isso para a equipe. Coincidência ou não, a gente nasceu com um dia de diferença. Temos muita afinidade, a personalidade casou. Natação é um esporte muito solitário, exige muito, é chato de treinar. Você trein muito para nadar uma semaninha. Precisa ter alguém te puxando, te colocando para cima, pegando no pé, e motivado principalmente. Eu uso uma frase com ele: &#8220;a vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer&#8221;. E nós somos muito parceiros nisso, deu muito certo.</p>
<p><strong>Como é sua rotina? E no descanso?</strong><br />
Chego no Corinthians as 7h30, de segunda a sexta. A gente aquece e faz exercícios que o fisioterapeuta bola. Caímos na água às 8h e treinamos em média até as 10h30. Segunda, quarta e sexta tem musculação das 11h às 12h30 &#8211; 13h, e temos dobra. Terça e quinta fazemos exercícios de fisioterapia para prevenção, mobilidade de quadril e de coordenação. Sábado a gente vem 7h normalmente, e domingo folga.</p>
<p>Sobre sair, tem que ser profissional. A gente trabalha com performance, nosso corpo é nosso instrumento de trabalho. Quando era mais novo isso interferiu muito, de 17 a 19 anos, hoje eu sou bem tranquilo. Costumo sair de final de semana para jantar, dia de sábado e domingo o nutricionista dá uma liberada, até para não ficar doido, mas não dá para enfiar o pé na jaca. Mas a um mês da competição a gente regra também de fim de semana. Acho que maior que é o certo você adquirir mais essa postura de atleta, tem que ter uma vida diferente. Ou você aceita isso e segue ou dificilmente vai ser bem sucedido.</p>
<p><strong>Como foi a saída de Prudente?</strong><br />
Eu sai com 15, 16 anos. Na época achei uma maravilha morar sozinho. Minha mãe chorava de preocupação, sabe como é mãe né? O começo foi difícil mas não de treino, de adaptação, porque eu morava com meninos mais velhos que saíam e as vezes ficava sozinho &#8211; ganhava muito pouco e meu pai não tinha como ficar bancando. Mas foi muito importante para o que eu sou hoje, não só como atleta mais principalmente como pessoa, passar as dificuldades que eu passei e chegar onde cheguei. Não foi fácil, mas eu faria tudo de novo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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