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    02/03/2012 por Carolina Rossini em Boxe, Destaque, Memória / Sem comentários

    Como o mosca Servílio de Oliveira trouxe a primeira e única medalha olímpica para o boxe brasileiro com apenas 20 anos de idade

    Boxe nunca foi um esporte muito popular no Brasil. Muitos de nós associamos o esporte a nomes como Éder Jofre e Acelino “Popó” Freitas – o primeiro como um dos melhores (senão o melhor) do Brasil e do mundo , e o segundo como um verdadeiro campeão que trouxe para nós um gostinho do esporte. Assim como Gustavo Kuerten colocou o tênis em evidência, Popó mostrou aos brasileiros que boxe também poderia ser um forte candidato a xodó nacional.

    Quando o boxe surgiu no Brasil por influência de imigrantes italianos e alemães, foi considerado um esporte muito violento e de marginais – assim como a capoeira – ganhando espaço somente na década de 1920. Chegou a ser proibido no país após Ditão, famoso boxeador da época, sucumbir em uma luta e sofrer um derrame cerebral, que o levaria a viver em condições precárias de saúde até sua morte. Porém, quando o boxe levantou deste nocaute do acaso, ascendeu rapidamente, caiu no gosto popular e moveu multidões para assistir às lutas – principalmente nos anos de 1940, quando o Pacaembu era palco para os embates.

    Quando os primeiros representantes do boxe brasileiro pisaram no solo olímpico de Londres, em 1948, as chances de vitória não eram grandes. Perto dos outros países, como Estados Unidos, não tínhamos chance. E foi assim durante muitos anos. Até mesmo o grande ídolo e maior esperança brasileira nos Jogos, Éder Jofre, sucumbiu em sua segunda luta em Melbourne, no ano de 1956.

    Mal sabíamos que três olimpíadas depois uma estrela iria brilhar. E brilhou. Um rapaz, de 20 anos, peso mosca, aparência mosca, tudo mosca. O ano era 1968, nos Jogos Olímpicos de Verão, na Cidade do México. Naquele 68, o garoto que ainda era amador já havia faturado o paulista, o brasileiro e se sagrado o grande vencedor entre os latino-americanos, em Santiago (Chile). À época, Servílio de Oliveira – o nome que ficaria para sempre cravado na história do boxe brasileiro – era pugilista do Clube Atlético Pirelli e tinha como treinador ninguém menos do que Antônio Ângelo Carollo – que comandou o Brasil em cinco Jogos Olímpicos.

    Das mãos de Carollo, Servílio partiu para bater dois adversários, chegar à semi-final dos Jogos contra a prata da casa, Ricardo Delgado, e perder. A derrota mais vangloriada do boxe brasileiro até hoje. Delgado consagrou-se o campeão olímpico na ocasião, enquanto, no terceiro lugar do pódio estava ele, o mosca brasileiro que, contra todas as apostas, iria voltar para a casa carregando no peito a primeira – e até hoje única – medalha do boxe brasileiro na história das Olimpíadas.

    Carollo, o brilhante técnico e um dos responsáveis por essa marca histórica do Brasil, também treinou Popó, provando que seus pupilos tem um brilho especial. E no último fim-de-semana, o treinador que deu tantas alegrias para o boxe brasileiro faleceu, deixando para trás um legado de conquistas, títulos e orgulho para o esporte. Servílio aposentou-se três anos após a conquista, devido um deslocamento de retina sofrido em um combate com Tony Moreno – que lhe causou a perda da visão do olho direito. Com 23 anos, o pugilista dava adeus cedo demais ao esporte.

     

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