“Estou vivendo a melhor semana da minha vida”. A trajetória improvável de Victor Estrella Burgos é um primor entre as histórias lado B de grandes torneios esportivos. Federer pode quebrar seu próprio recorde de títulos de Grand Slam nesse US Open, Serena Williams pode se tornar a primeira tricampeã consecutiva do torneio desde Chris Evert em 1977. Mas nas quadras de Flushing Medows, há espaço também para outros recordes. Vamos a eles:
Aos 34 anos, Victor Estrella Burgos foi o mais velho tenista a fazer sua primeira participação na história do torneio. Foi também o primeiro tenista da história da Republica Dominicana a participar do US Open, assim como o primeiro do país a chegar no top 100 da ATP. Sua partida contra o croata Borna Coric, de 17 anos, registrou a maior diferença de idade da história do torneio. Para além das estatísticas, sua imagem fala por si:

“Eu fiquei bem emocionado quando servi para o jogo. Não dava para acreditar que eu estava naquela situação, eu vou para a terceira rodada do US Open… foi tenso e muito, muito emocionante para mim. Graças a Deus eu fiz o ponto. Depois disso, outra lágrima caiu”, disse em entrevista após sua segunda vitória no torneio.
Ele começou a jogar com 8 anos. Para parar de brigar com seus irmãos, seu pai o colocou em um clube de tênis para trabalhar como pegador de bolinhas. “No começo, ninguém me ensinou. Acho que eu vi e copiei de outras pessoas, como elas jogavam, e comecei a jogar. Graças a Deus o clube permitiu que eu jogasse, porque eu era uma criança hiperativa, mas nunca fiz bagunça”, disse ao New York Times. Ele jogou um torneio de tênis pela primeira vez com 14 anos. “Eu era muito baixo [Victor hoje mede apenas 1,74m] e eles não queriam me deixar jogar porque o torneio tinha um patrocinador de bebidas alcóolicas. Eu chorei e briguei, pedindo para jogar”.
Estrella se tornou “profissional” com 22 anos. Mas com dívidas e lesões, ele competia quase exclusivamente na Copa Davis, representando seu país, enquanto trabalhava como técnico. Até que em 2006 decidiu investir no seu sonho e ser jogador. Passou a se dedicar integralmente ao tênis, jogando torneios Futures e Challenger. Em 2012, precisou parar de jogar por um tempo, de novo, por uma lesão no cotovelo. Ironicamente, foi bom: Estrella teve que mudar muita coisa no treinamento e trabalhar firme com um fisioterapeuta. “Foi a chave. Eu tinha a habilidade para jogar e o bom nível no tênis, preciso continuar cuidando de mim e acho que isso me manterá no top 100″. Em um ano, ele saiu de 330 no ranking da ATP para 99 em março deste ano.
A quadra em que disputou seus jogos tinha lugar para 1.148 pessoas – e estava cheia. Repleta de dominicanos que foram apoiá-lo. “Eu sei de onde eu vim, e vim de baixo. Acho que estou abrindo caminho para outros jogadores, e isso me deixa com mais vontade de melhorar. (..) Estou feliz. Acho que as pessoas estão em festa na República Dominicana, isso é muito especial para mim. (…) Isso me deixa mais forte quando entro em quadra”. Estrella ganhou duas partidas e se despediu do torneio na terceira rodada, após perder do canadense Milos Raonic jogando em uma das três principais quadras do complexo de Flushing Medows.
Como bem disse a ESPN, Estrella está vivendo o sonho de qualquer atleta. “O que Sean Bean fez no filme When Saturday Comes, Victor Estrella está fazendo agora no US Open - uma última tentativa. Com lesões e dívidas, ele deixou o esporte por quase 5 anos antes de voltar para uma última chance. Que decisão. Que jornada. E não importa a conclusão, que história.”
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