Espetacular. Não há outra palavra que defina melhor o que foi a final masculina do US Open 2012. Cinco sets que mereciam um texto cada um. Dois jogadores que estão definitivamente entre os grandes da história. Cinco horas de tênis no mais alto nível que o esporte pode atingir. Um dia para fica marcado na história. O primeiro título de Grand Slam da carreira de Andy Murray.
Acabou o estigma de vira-lata do britânico, que exterminou um tabu de 76 anos sem um tenista britânico levantar uma taça de Major. Em sua quinta final desse porte, Murray conquista pela primeira vez o troféu de um dos quatro torneios mais importantes do esporte e o 24º na carreira. Na grande decisão ele superou o atual campeão e todo-poderoso Novak Djokovic.
Outro fato importante é ter um vencedor de Slam diferente de Rafael Nadal, Roger Federer e Djokovic. Há onze torneios desse porte, desde Juan Martín Del Potro no mesmo US Open em 2009, não havia um vencedor diferente do trio de ferro do esporte na atualidade. E Murray, que ultrapassa Nadal e assume o terceiro luagr do ranking mundial, também faz a temporada de 2012 ser a primeira desde 2003 a ter um vencedor diferente em cada Grand Slam. Djoko venceu na Austrália, Rafa em Roland Garros e Roger em Wimbledon.
O jogo
O primeiro set durou uma hora e meia, tempo mais do que razoável para os jogadores top finalizarem uma partida nas primeiras rodadas. Em um dos tiebreaks mais emocionantes dos últimos tempos, que durou 25 minutos, Murray desperdiçou quatro oportunidades de fechar a parcial com incríveis 12-10. O set seguinte viu o pupilo de Ivan Lendl abrir larga vantagem e ter duas quebras na frente. Djokovic reagiu, se aproveitou do nervosismo do adversário e encostou no placar, mas em um 12º game excepcional e apostando nas bolas fundas, Murray abriu dois sets a zero.
Tudo indicava que o sérvio não reagiria e o velho vento continuaria a incomodá-lo. Mas sua estrela brilhou e no primeiro vacilo do britânico, Djokovic foi pra cima, colocou o forehand em dia e, após a diminuição dos eternos ventos nova iorquinos, fechou o terceiro set em 6-2 e o quarto em 6-3 com quebras prematuras e muita agressividade.
Murray se utilizou do mesmo artefato de seu oponente e saiu quebrando Djokovic logo no primeiro game do set decisivo. Com a cabeça no lugar e a mão afiada, o britânico ainda viu o sérvio sentir câimbras antes de anotar mais uma quebra e sacar para o jogo, para o título e para o maior triunfo de sua carreira após exatas 4h54.
Murray não se jogou no chão, não pulou, não esperneou como Serena Williams. Incrédulo e visivelmente emocionado, o britânico cumprimentou Djokovic e parecia não saber que caminho seguir. Influência clara de seu treinador, sempre lembrado pelo jeito durão e carrancudo, que esboçou um sorriso de canto de rosto ao ver Andy levantar a taça, mais do que merecida, do US Open de 2012.
Guilherme Daolio é Jornalista e Radialista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Apaixonado por tênis por influência de seu pai, acompanha o esporte desde pequeno. No momento em que Djokovic, Federer e Nadal polarizam as quadras, Guilherme arrisca suas raquetadas por aqui. Novidades, projeções, análises, informações, apostas e tudo que envolva a bolinha amarela vira assunto.
O nosso colunista já passou pela Rede Record e pelo Portal IG. Hoje é editor de texto da ESPN Brasil e louco por tênis.
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