
Começou ontem o Masters 1000 de Monte Carlo, o primeiro grande torneio da turnê europeia de terra batida que vai até Roland Garros. Mais do que o piso preferido de Rafael Nadal e dos brasileiros, o saibro pode trazer significativas mudanças no ranking mundial antes de Wimbledon e das Olimpíadas de Londres. Torneio marcou ainda a despedidade de Ivan Ljubicic, que já foi terceiro melhor tenista do mundo em 2006 e teve atuação destacada fora das quadras, como presidente do Conselho dos Jogadores
O Brasil enfrentará a Rússia, algoz do ano passado, mas dessa vez em casa e, certamente, sobre o saibro. Dos adversários que poderíamos enfrentar, pegamos um dos mais experientes, mas que não vive um bom momento. Podemos, de fato, avançar. A principal diferença entre as duas é o elenco. Temos Bellucci e ótimas opções para a dupla, mas nos falta um número 2 que possa beliscar algo
Bellucci fez o que se espera do número um do país. Venceu seus dois jogos de simples e comandou a equipe. Apesar de não jogarem mais juntos no circuito, Bruno Soares e Marcelo Melo mostraram o velho entrosamento e não deram chances à boa dupla colombiana. João “Feijão” Souza não foi mal, mas demonstrou nervosismo natural em sua estreia e escolheu golpes errados nos momentos cruciais
O estilo de jogo do espanhol joga contra. Sua força física faz com que chegue em todas as bolas e lute até o fim em todos os pontos, mas acaba com seus joelhos. É nítida a diferença entre seu jogo e o de Roger Federer, por exemplo. O suíço parece não se esforçar em quadra. Além dos pontos de graça que ganha com seu saque, encurta as trocas de bola e o backhand de uma mão também ajuda bastante. Nadal é da escola espanhola tradicional, que preza pelos longos ralis e não têm o saque como arma fundamental
Federer virá ao Brasil pela primeira vez e fará duas partidas no país. Ao que tudo indica, São Paulo e Rio de Janeiro serão as cidades escolhidas. Brasília também está na briga, mas corre por fora. A semana marcou ainda o adeus de Fernando Gonzalez. O chileno de 31 anos alcançou o quinto lugar do ranking mundial em 2007, ano que foi vice-campeão do Australian Open. No currículo, onze títulos de ATP e três medalhas olímpicas. Gonzo e seu forehand, considerado por muitos o melhor do circuito, deixarão saudades
Na melhor semana da carreira, o gigante norte-americano de 2,05m chegou pela primeira vez a uma final desse porte e despachou na semifinal ninguém menos que Djokovic. Com a sensacional campanha na Califórnia, Isner entra pela primeira vez no grupo dos 10 melhores tenistas do mundo, aos 26 anos de idade. John Robert Isner era o número 416 do ranking mundial quando apareceu para o mundo do tênis em Washington, no ano de 2007, quando parou apenas na final diante do compatriota Andy Roddick
Mas com tudo isso, o que motiva Roger a continuar encarando o cansativo circuito? Três são os focos no momento. O mais imediato deles é faturar a inédita medalha de ouro em simples nos Jogos Olímpicos de Londres no meio do ano. Em 2008, ao lado do compatriota Stanislas Wawrinka ele subiu ao lugar mais alto do pódio em Pequim. Outro objetivo é levantar ao menos mais um troféu de Grand Slam antes de pendurar as raquetes. A maior aspiração de Federer, no entanto, é voltar a liderança do ranking mundial, pelo menos por mais duas semanas
Temos, periodicamente, atletas que se destacam na categoria juvenil. O alagoano Tiago Fernandes, por exemplo, foi campeão do Australian Open em 2010. Já o cearense Thiago Monteiro é o atual número 2 do ranking mundial da ITF. Promessas nacionais não faltam, mas são poucos os que vingam logo após abandonar a categoria juvenil. Após os anos dourados de Guga, o tênis nacional viu apenas mais três títulos de nível ATP serem conquistados por brasileiros, todos da categoria 250
Indiscutivelmente a mudança do Brasil Open da Costa do Sauípe para São Paulo foi um acerto da Confederação Brasileira de Tênis. Prova disso é que na quinta-feira, mais pessoas já haviam comparecido ao complexo do que em todo o torneio do ano passado. O público total superou os 45 mil presentes – para se ter ideia, a média de público diária de um ATP 250 entre segunda e quinta-feira, é de mil pessoas. São Paulo não registrou menos que isso em nenhum dia do evento.