Esporte em Pauta

Contato

Súmula

  • Reportagens
  • Personagens
  • Memória
  • Coberturas
  • Opinião
  • O melhor ano para os esportes olímpicos no Brasil

    23/12/2013 por Beatriz Nantes em Atletismo, Badminton, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Coberturas, Esgrima, Futebol, Ginástica Artística, Ginástica de trampolim, Ginástica Rítmica, Handebol, Judô, Levantamento de peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pentatlo moderno, Polo Aquático, Remo, Reportagem, Saltos ornamentais, Taekwondo / Sem comentários

    O título mundial inédito do handebol feminino encerra um ano de resultados expressivos para o esporte olímpico do país. Foram oito medalhas de ouro em provas olímpicas em Mundiais, e 27 medalhas no total. Como comparação, nas últimas Olimpíadas, foram 17 medalhas, sendo três de ouro. É claro que Mundial é diferente de Olimpíada e, em muitas modalidades, o ano pós olímpico tem bons competidores dando um tempo, se aposentando, novos nomes surgindo. É um período de transição.

    Ainda assim, os resultados devem ser comemorados. Primeiro porque precisamos parar de pensar que os resultados só fazem sentido se virarem uma medalha olímpica lá na frente. Toda competição tem sua importância, todo título deve ser comemorado – não superestimado nem o contrário, mas comemorado dentro do seu significado. E em segundo porque sim, várias modalidades deram um passo importante agora rumo ao Rio-2016.

    Acho que as modalidades como um todo que mais se destacaram no ano foram o handebol feminino, natação (especialmente as maratonas aquáticas), judô, vôlei e vela. Também foi um ano com medalhas em Mundiais para ginástica artística, boxe, vôlei de praia, pentatlo moderno e taekwondo.

    Handebol: Conquista histórica

    O handebol feminino quebrou uma série de tabus – venceu uma seleção europeia pela primeira vez em mata-mata de grandes competições (e já foram logo três), bateu as donas da casa da Sérvia (campeãs olímpicas em 1984 e Mundiais em 1073) no jogo com maior audiência da história do handball (quase 20 mil pessoas), e se tornou a segunda seleção não europeia a vencer um Mundial (a primeira foi a Coreia do Sul). Resultado histórico.

    Judô: modelo a ser perseguido

    Se eu “fosse uma modalidade”, escolheria ser o judô. Não somente pelas medalhas conquistadas no Mundial deste ano (seis medalhas, uma de ouro), mas porque, diferente da natação, o judô não depende tanto de alguns poucos nomes para subir ao pódio. É claro que a modalidade tem grandes ídolos, como Sarah Menezes, mas o mais legal é que há muitos atletas fortes com chances de chegar a uma medalha nos Mundiais e nas Olimpíadas.

    Nesse Mundial, subiram ao pódio Sarah, Rafaela Silva (ouro em uma campanha irretocável e uma volta por cima linda, digna de filme), Erika Miranda, Maria Suelen, Mayra Aguiar e Rafael Silva. Além disso, Um “sintoma” da força de uma modalidade está na forte disputa interna por vagas para defender a seleção, e temos isso no judô. Um leque de patrocinadores, não só de estatais, fruto de um projeto organizado que consegue ser atrativo para a iniciativa privada.

    Poliana e Cielo: ano incrível

     

    A natação conseguiu um resultado histórico no Mundial de Barcelona. Pegando apenas as provas olímpicas, foram quatro medalhas na piscina e duas nas maratonas aquáticas. Cesar Cielo voltou ao topo do mundo depois de ser bronze em Londres e mostrou que é um ídolo não só do Brasil, mas da história da natação – é o primeiro tricampeão mundial do 50 livre e certamente um dos melhores velocistas da história. Thiago Pereira foi bronze duas vezes, e Felipe Lima atingiu outro patamar, conquistando o bronze no 100 peito, sua primeira medalha em competições desse porte. Sete finais em provas olímpicas.

    Nas maratonas aquáticas então, o resultado foi espetacular. Poliana Okimoto e Ana Marcela fizeram dobradinha na prova olímpica de 10km, provavelmente uma das melhores provas da história do Brasil em esportes olímpicos, e Allan do Carmo foi sétimo nesta prova no masculino. Em partes, o resultado de Poliana e Ana Marcela “esconde” uma participação fraca da natação feminina nas piscinas – apenas uma final, e em prova não olímpica.

    O vôleié parecido com o judô (organizado, base forte, muitos atletas de destaque, boa disputa para chegar à Seleção, patrocinadores), mas esse foi um ano mais “morno” para a modalidade. Nos tradicionais Grand Prix e Liga Mundial, o Brasil foi ouro no Grand Prix (feminino) e prata na Liga Mundial (masculino), neste último perdendo para a Rússia, mesmo algoz da final de Londres. Ano que vem tem os dois Mundiais da modalidade, competição mais importante do vôlei depois das Olimpíadas – o Brasil busca um título inédito no feminino e o tetra no masculino. O legal é que o vôlei do Brasil está sempre lá entre os melhores – e até por isso, é claro, a cobrança aqui é sempre maior.

    Zarif: nova geração da vela

    Não colocaria a vela no mesmo patamar de judô e vôlei – confederação é desorganizada, também dependemos em grande parte de poucos talentos individuais. Mas foi um bom ano, e acho que dá para chegar em 2016 com boas chances de medalha em várias classes. Foram dois títulos mundiais (Jorginho Zarif, de 20 anos e uma surpresa para este momento, e Robert Scheidt, que voltou a classe laser e já foi campeão, mostrando que é um atleta de talento inquestionável), uma medalha de prata (Martine Grael e Kahena Kunze na classe 49erFX) e outros três resultados entre os melhores do mundo.

    A ginástica artística vive um ótimo momento no masculino, tendo em Arthur Zanetti a maior expressão. Ele teve um ano perfeito e ganhou praticamente tudo que disputou, incluindo o Mundial. Além disso, foram cinco finais na competição, com quatro atletas diferentes. No feminino, apenas com duas representantes, Daniele Hypolito e Letícia Costa, o Brasil ainda sofre com o imbróglio envolvendo Jade Barbosa. Destaque para destaques das mais novas, como Rebeca Andrade, que tem tido resultados bem expressivos.

    Vôlei de praia: sempre lá

    Boxe e vôlei de praia chegaram ao pódio nos seus Mundiais e devem chegar ao Rio com boas chances de medalha. Se fosse o Ministério do Esporte, eu pegaria o caso do boxe como “case” de sucesso depois das Olimpíadas de Londres. Com patrocínio da Petrobras e um trabalho legal, chegamos a três medalhas em 2012, depois de décadas da última medalha, de Servílio. Esse ano foram duas medalhas no Mundial, com Robson Conceição (prata) e Everton Lopes (bronze), e seis atletas chegando até as oitavas de final (contra um em 2007, como levantou o Guilherme Costa do Brasil no Rio). Já o vôlei de praia foi marcado por um vaivém de duplas, mudanças nas regras, criação de seleção permanente. No Mundial, foram duas medalhas: prata no masculino com Ricardo e Álvaro Filho, e bronze no feminino, com Lili e Bárbara Seixas. Minha sensação é que o Brasil continua tendo atletas entre os melhores do mundo (tem as duas duplas melhor ranqueadas no mundo no feminino, mas as duas caíram no mata mata do Mundial), mas tem pecado nas grandes competições.

    Outras modalidades tiveram bons resultados individuais mas ainda estão um patamar abaixo dessas que falei antes.

    Resultado sensacional de Isaquias

    Por exemplo, no taekwondo, o Brasil conquistou uma medalha no Mundial, com Guilherme Dias, mas muitos atletas perderam na primeira luta. No Grand Prix agora em dezembro, segunda competição mais importante do ano, Guilherme Felix foi prata e Dias ficou em quinto. No pentatlo moderno, mais um grande resultado de Yane Marques, vice campeã mundial, mas no masculino seguimos sem resultados expressivos. E Isaquias Queiroz, jovem promessa do Brasil na canoagem, fez uma participação sensacional no Mundial e terminou em terceiro na prova olímpica de c1-1000m.

    Outras modalidades não chegaram ao pódio, mas seguem em evolução. Especialmente legal ver modalidades em que brasileiros atingiram o melhor resultado da história do país em Mundiais.

    Destaco aqui o levantamento de peso (melhor resultado da história em um Mundial, com Fernando Reis em sétimo), tiro com arco (também o melhor resultado da história em um Mundial, com Sarah Nikitin em sétimo0) handebol masculino (derrota nas oitavas de final, melhorando frente aos últimos anos, jogadores saindo do Brasil), ginástica rítmica (12o lugar no Mundial, melhorando depois de ficar fora da última Olimpíada), badminton (Lohaynny Vicente chegou a posição 63 no ranking mundial, melhor da história do Brasil), luta olímpica(Joice Silva chegou até as quartas de final no Mundial; mas a maior chance de medalha para 2016 aqui virá dos estrangeiros que a confederação está tentando naturalizar), ciclismo MTB (Henrique Avancini teve um problema no Mundial mas chegou ao melhor ranking de um brasileiro na história da modalidade).

    Algumas modalidades seguem com resultados tímidos, sem melhorar ou piorar. Casos da ginástica de trampolim (melhor resultado foi um 27o no Mundial), remo (confederação desorganizada, campeonatos nacionais esvaziados), saltos ornamentais (semifinal de Cesar Castro no Mundial é obviamente um bom resultado, mas falta renovação), polo aquático (Brasil não classificou no masculino e no feminino não ganhou nenhum jogo no Mundial; por outro lado, legal o sétimo lugar do masculino no Mundial júnior, e a notícia do tetracampeão olímpico Ratko Rudic para treinar a seleção) e mesmo da esgrima, que vem evoluindo, mas este ano não teve desempenhos tão expressivos (no Mundial, só cinco atletas passaram para o round de 64).
    Quem tem tradição e piorou
    Para terminar, vale a pena mencionar três esportes com tradição que caíram: atletismo, basquete e futebol feminino. O atletismo saiu do Mundial sem nenhuma medalha, repetindo o que aconteceu em Londres (primeira Olimpíada sem medalha na modalidade desde 92).  Por outro lado, há algumas provas com bons resultados – vale muito a pena ver essa análise do Guilherme. No basquete masculino, nenhuma vitória na Copa América – vale ler essa reflexão. E o futebol feminino, que por muito tempo esteve entre os melhores do mundo, hoje já não está mais – não houve nenhum resultado específico este ano, mas a comparação entre as vezes que a seleção jogou comparada às demais evidencia a distância atual.

    Queda no bastão foi imagem "emblemática" do Mundial

    • Tweet

    Deixe um comentário

    Postando o comentário...

    Receber os comentários deste post via e-mail

    • Twitter